segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Tinha Que Ser Você — História

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Capítulo 13

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Uma semana se passou como um martírio para Jane, trabalhou por horas e ainda teve que aturar o doutor Parker, atrapalhando e atrasando seu trabalho e lhe deixando com o humor ainda pior do que antes.

Maura estava em um retiro para médicos legistas há alguns dias, ela não havia pensado duas vezes antes de aceitar, mas precisava daquilo depois de receber a indiferença da morena, não achava que Jane fosse ignorar sua presença como a detetive estava fazendo, mas ela nem mesmo olhava em sua direção no trabalho e sempre saía quando ela estava.

Angela tentava falar com a filha que não estava lhe dando brecha alguma para pedidos de desculpas, o que lhe fez se sentir ainda mais culpada por ter se envolvido na relação dela com Maura e fez a promessa de não fazer aquilo outra vez a menos que pedissem.

O caos que se instalou aquele dia no departamento, o doutor Parker não ajudava muito com seu ritmo extremamente lento, Jane sentia ainda mais falta de Maura nessas horas, não apenas ela, mas a saudade da morena valia por dez.

Ela não sentia falta apenas da Maura, médica legista, sentia falta da Maura, amiga e namorada, principalmente da Maura amiga.

— Alguma coisa, lá embaixo? — Korsak perguntou.

— Nada, eu já estou começando a ficar sem paciência.

— Deveria pedir opiniões a Maura — Frankie disse recebendo um olhar mortal da irmã.

— Eu não vou nem mesmo responder a esse seu comentário idiota que chegou sem que ninguém tivesse pedido a sua opinião — Disse séria, sua voz estava mais rouca que o normal.

— Deixa que eu falo com a Maura, Jane — Frost disse e saiu.

— Temos mais alguma pista? — Perguntou Korsak tentando evitar uma briga entre os dois.

— Nada que nos leve ao assassino, mas estamos esperando a família da vítima chegar, para ver o que conseguimos — Frankie respondeu. 

— Quando eles chegam? — Foi a vez da morena perguntar.

— A qualquer momento.

— Certo.

[...]

Dois dias foram necessários para solucionar o caso, Jane suspirou aliviada ao terminar e seguiu para casa, tomou um banho e decidiu sair pra correr precisava se distrair.

Escutou o som do celular ainda no início da corrida e o atendeu sem olhar quem era.

— Rizzoli.

— Preciso que venha até a casa da Maura, eu acho que fiz uma besteira na pia.

— Não podia chamar o Frankie ou o Tommy? — Perguntou incrédula parando de correr.

— Eu tentei, Frankie saiu pra ver um jogo com Frost, Tommy nem mesmo atende o celular, por favor, Jane — Suplicou.

— Argh, estou indo — Pegou um táxi e seguiu para a casa da legista, assim que chegou tocou a campainha em menos de um minuto a porta foi aberta.

— Ainda bem que você chegou, eu acho que ela vai alagar a cozinha da Maura.

— O que estava fazendo? — Perguntou ao chegar na cozinha e ver a pia completamente cheia.

— Estava fazendo o jantar e quando fui lavar a louça, a água não quis mais descer — Jane abaixou e começou a arrumar a bagunça da mãe, coisa que levou alguns bons minutos.

— Acho que consegui — Disse suspirando, Angela sorriu ao ver a água descer pelo ralo tranquilamente.

— Tenho certeza que se fosse seus irmãos, não terminariam hoje — Disse rindo.

— Mal dos homens Rizzoli homens — Disse limpando as mãos.

— Eu também acho.

— Eu já vou indo.

— Não pode continuar chateada comigo.

— Não é com a senhora ma, é com o que fez, meu namoro com Maura estava se ajeitando, estávamos indo com calma, então você chegou com a ideia maluca de um casamento e nós iamos completar dois meses de namoro, mas não importa, Maura está mais segura não estando comigo.

— Estaria segura se estivesse com você e além de segura, vocês estariam felizes.

— Não importa mais, deixar do jeito que está é o melhor a fazer, boa noite — Disse seguindo para a porta saindo em seguida, Angela suspirou.

[...]

— Viu quem voltou? — Frankie perguntou tomando um gole de café.

— Se quer dizer alguma coisa, diga logo, Frankie, eu não tenho tempo e nem paciência para jogos — Disse colocando a arma sobre a mesa, sentando.

— A Maura, ela voltou ontem a noite, está lá no laboratório.

— Hm — Disse pegando a primeira pasta de relatórios, ligando o computador.

— Não vai dizer nada?

— Não tenho nada pra dizer, mas provavelmente seu trabalho não é informar quando a doutora Isles está ou não no laboratório dela e o meu não é te ouvir a menos que seja assunto de trabalho, mas como sua irmã mais velha, eu posso te dar uma surra se continuar aqui enchendo o meu saco.

— Quanto mal humor.

— Vai reclamar para a ma — Ironizou.

— Vou mesmo — Disse saindo de perto dela.

— Ótimo, aproveite e suma da minha frente — Disse fazendo-o resmungar.

Korsak riu entregando um copo com café para a morena que tomou um grande gole.

— O que há com você e com a Maura?

— Não há nada, apenas o trabalho — Disse olhando para a pasta.

— Vocês até alguns dias atrás eram inseparáveis, Jane, o que houve?

— As coisas mudam e eu não quero falar sobre isso — O celular tocou e ela suspirou atendendo-o — Rizzoli.

[...]

Jane olhou em volta antes de adentrar a casa, havia um canteiro de flores do lado direito, já no lado esquerdo uma garagem, os policiais estavam por ali vasculhando todos lugares em busca de uma pista, Jane seguiu para o canteiro de flores e abaixou.

— Admirando as flores?

— Frankie, eu realmente acho que você quer levar uma bela surra — Disse olhando-o seriamente e voltando a olhar para o canteiro.

Abaixou tocando a terra e sentiu algo cortar sua mão, ela puxou a mão rapidamente vendo o sangue pingar aos seus pés.

— O que aconteceu?

— Sistema de segurança — Disse tirando um lenço do bolso, cobrindo a mão — Chame Frost.

— E a sua mão?

— Agora Frankie — Disse olhando-o sobre o ombro, chamou dois policiais — Tirem a terra de cima, mais cuidado, tem um sistema de segurança ativado por movimento.

— O que houve?

— Preciso que descobra o que já embaixo desse canteiro, tem um sistema de segurança, preciso que destrave.

— Tudo bem, mas talvez demore um pouco — Jane seguiu para dentro da casa e seguiu em direção a sala vendo Korsak.

— Está tudo bem com a sua mão?

— Sim, não foi nada demais.

— Eu já mandei levarem o corpo — Maura disse adentrando a sala e parou ao ver a morena — Olá Jane — Disse olhando-a nos olhos e desceu o olhar para a mão da morena — O que houve com sua mão?

— Nada, eu estou bem — Disse séria.

— Vocês precisam ver isso — Frost disse ao adentrar a sala.

Voltaram para o lado de fora e seguiram para o canteiro, Jane olhou para baixo assim como Maura e Korsak.

— Merda — Jane disse e olhou para Korsak.

[...]

Jane observava atentamente cada movimento feito por Maura que estava concentrada em limpar o corte de sua mão, o silêncio era presente e as vezes um barulho ou outro eram feitos pelos assistentes da loira que estavam no laboratório ao lado da sala da legista.

Maura sentia o olhar da detetive sobre si, mas tentava atentar-se a limpeza do ferimento para que não infeccionasse, sabia como Jane era teimosa e não iria ao hospital, então após muita insistência, conseguiu levá-la até o laboratório para limpar e enfaixar a mão.

Jane contraiu a mão dando um gemido ao sentir o remédio queimar sobre o corte e Maura segurou seus dedos para que sua mão continuasse aberta, logo a mão estava enfaixada.

— Obrigada — Disse recolhendo a mão enquanto Maura guardava as coisas dentro da maleta de primeiros socorros.

— Não precisa agradecer — Disse sorrindo de canto a olhando, logo sua atenção voltou para as coisas que guardava.

Jane queria dizer algo, queria tentar uma aproximação, mas sabia que talvez não fosse o melhor momento, talvez Maura não quisesse uma nova explicação, então apenas se levantou para sair da sala, sabendo que seu coração ficaria ali.

— Certo, eu vou voltar ao trabalho.

— Okay — Sorriu de canto e a observou sair da sala.

A morena adentrou o elevador apoiando-se na parede e suspirou, sentia como se todos os seus orgãos tivessem virado gelatina, era sempre assim na presença de Maura, desde que a conheceu, se achava uma tola por não ter percebido o quanto a queria desde o princípio.

O fato agora era que não mais a tinha, estavam seguindo novos rumos e talvez fosse melhor, logo Maura encontraria alguém que valesse a pena, esse pensamento lhe doía como o inferno, mas não tinha muito o que fazer senão aceitar.

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