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Capítulo 15
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Os dias foram se passando, Maura e Jane não voltaram a falar nada além do necessário e do profissional.
Enquanto a loira aprofundava-se cada vez mais no trabalho e em novos estudos, a morena resolvia seus casos e tornava sua amizade com Rose ainda mais íntima, mas não podia negar a falta que a loira lhe fazia, tanto na amizade quando nos beijos.
Jane respirou fundo apertando a caneta nas mãos enquanto movia sua cadeira de um lado para o outro e encarava um ponto fixo nem um pouco atrativo.
— Você está bem? — Rose perguntou apoiando a mão na mesa enquanto a observava.
— Sim — Disse após alguns minutos e sorriu sem muita vontade.
— Eu acho que você deve esquecer essa tal pessoa que você não me diz quem é ou ir de uma vez atrás dela, talvez assim você pare de pensar tanto.
— Não estou pensando em ninguém, apenas no caso.
— Sei, mas o que acha de sairmos hoje pra beber? Eu realmente estou precisando se um descanso.
— Por mim tudo bem — Deu de ombros— Vai ser bom tirar a cabeça do trabalho um pouco.
— Com certeza vai — Disse sorrindo.
[...]
Maura respirou assinando um documento da autópsia e passou a mão na nuca, estava cansada, havia dormido mal a noite e ainda faltava duas horas para poder ir pra casa.
— Doutora, a detetive mandou te entregar — Susie disse adentrando a sala e ergueu um pedaço de papel amarelo, Maura franziu a testa pegando-o.
— Obrigada Sussie — Disse começando a ler, a asiática saiu antes que ela pudesse perguntar qual detetive ela se referia.
"Te espero às oito no LeBar, fica no centro, precisamos de uma pausa"
Maura pensou que havia sido Jane, mas não se falavam há dias, por qual motivo ela mandaria Susie lhe entregar aquilo naquele momento? Não sabemos nenhuma resposta clara, simplesmente ignorou o bilhete e voltou a atenção ao trabalho, afinal aquela letra também não era da morena.
O suspiro cansado fez com que Maura levantasse o olhar para o relógio vendo que já havia se passado um pouco mais do seu horário.
Ela suspirou guardando suas coisas e os olhos seguiram para o bilhete, novamente a dúvida entre ir ou não, pairou no ar, suspirou saindo da sala e seguiu para o elevador.
— Frankie, você viu a Jane? — Perguntou assim que saiu do elevador e o encontrou parado.
— Ela saiu com a Rose, foram a um bar do centro, mais liga no celular dela se for importante, ela disse que o deixaria ligado.
— Não é — Disse voltando para dentro do elevador, pensando sobre a nova amizade da morena.
[...]
Maura estacionou o carro pensando ser uma má ideia estar ali, mas realmente precisava de uma dose de álcool que não fosse bebida na sala de casa ou em qualquer cômodo dela.
Assim que adentrou o local percebeu quão cheio estava, olhou em volta e viu Jane junto a Rose, elas pareciam muito próximas e de fato estavam, por causa do som alto do local.
Jane sentiu a espuma da cerveja espirar em seu rosto quando tirou a garrafa da boca e Rose riu pegando um guardanapo para limpá-la, mas a loira não viu a parte da bebida, apenas as risadas e a proximidade maior, então saiu do bar deixando-as aproveitar a noite.
— Ótimo, agora eu estou com cheiro de cerveja.
— Não faz mal — Disse rindo — Acha que ela vai vir?
— Ela quem?
— A Maura — Jane arregalou os olhos.
— Você chamou a Maura?
— Sim, mesmo que nunca tenhamos conversado muito, eu gostei dela — Disse dando de ombros e bebendo sua cerveja — Ela é sincera e muito estilosa.
— Ainda não acredito que seu bar favorito é um bar gay.
— Não é porque eu não digo minha orientação sexual no trabalho que eu sou uma mulher careta — Brincou fazendo-a rir.
— Adoraria ver a cara do Frankie agora — Disse rindo um pouco mais e Rose riu junto.
— Qual a sua com a Maura? — Jane deu de ombros bebendo um gole da cerveja e olhou para a mesa.
— Éramos melhores amigas.
— E então? — Perguntou curiosa.
— Eu a beijei — Rose arregalou os olhos.
— Mentira! Continua — Ajeitou-se na cadeira.
— Começamos a namorar escondido, tive o melhor sexo da minha vida e então minha mãe descobriu e começou a planejar nosso casamento com dois meses de namoro — Rose riu — A Maura ficou com raiva quando eu disse que não queria casar e terminou comigo, depois voltamos e fingimos estar separadas pra dá uma lição na minha mãe, só que a Maura não queria mais ficar escondido então aqui estamos, a um mês após o término — Voltou a beber.
— E não quer casar com ela?
— Talvez, mas não é por nos conhecermos a tanto tempo que devemos nos casar um dia depois de começarmos a namorar e a Maura é a pessoa mais importante da minha vida, não sei se estou pronta para colocá-la em risco.
— Jane, ela por mais que seja sua namorada, sua amiga ou apenas uma colega de trabalho, ela vai estar em risco, é parte do nosso trabalho, mesmo se vocês não se falassem, não se conhecessem, ela estaria em risco, são males do oficial.
— Talvez você tenha razão, mas não sei se temos tempo e oportunidade.
— Vocês terão o tempo e a oportunidade que quiserem ter, vai por mim, eu já passei por isso.
— Aproveitou as oportunidades?
— Não e ela me trocou por outra, hoje estão casadas, trabalhávamos juntas.
— Por isso veio pra cá? — Perguntou atenta.
— Não, mas isso é parte do motivo, eu só não me sentia mais em um bom lugar, lidar com vítimas vivas às vezes nos mata aos poucos, sabe?
[...]
O dia começou chuvoso na cidade, o que era de fato algo surpreendente, a homicídios estava mais do que tranquila, nenhum caso grave ou morte, apenas ocorrências básicas e até mesmo diárias.
Maura estava analisando o trabalho enquanto sua equipe cuidava de casos simples e terminavam análises, naquele dia haviam apenas quatro deles trabalhando.
Suspirou sentindo o cansaço de novamente uma noite mal dormida bater e ficou ali fazendo seu trabalho até o tempo passar, logo isso não demorou a acontecer.
O relógio marcavam oito da noite, os ajudantes já haviam ido, pois já haviam ultrapassado seus horários e pelo dia tranquilo, não precisariam ficar depois dás oito.
Maura levantou o olhar vendo a luz do necrotério ligada e foi até lá para apagá-la, apertou o interruptor apagando-a.
— Muito ocupada? — Maura virou-se bruscamente com o coração acelerado deixando a mão sobre o peito.
— Você me assustou, Jane.
— Desculpa — Disse afastando-se da porta e aproximando-se da loira que voltou a acender a luz.
— Não tem um novo bar pra ir com sua nova amiga? — Perguntou seria cruzando os braços.
— Não, a chuva não permitiu e ela já foi embora.
— Hm — Disse seguindo em direção a porta, Jane a segurou pelo braço.
— Eu sinto sua falta, Maur — Sussurrou e Maura sentiu o corpo tremer olhando-a nos olhos brevemente, então desviou o olhar.
— Você pareceu muito bem ontem quando estava naquele bar — Disse soltando-se da mão da morena.
— E o que você viu ontem? Porque não houve nada demais, Rose é apenas uma amiga.
— Eu também era — Esbravejou.
— Você continua sendo, Maura, mais do que isso, você é a única mulher que despertou desejo em mim, a única que me faz perder a cabeça e ter medo de perder — Disse olhando-a nos olhos — Eu sinto sua falta, não só da Maura que namorei, mais da minha melhor amiga, assim como da melhor namorada que poderia pensar em ter, da Maura que eu quero me casar daqui a um ano ou dois, mesmo que eu jamais colocaria un vestido de noiva ou teria uma festa exagerada — Jane a abraçou pela cintura aproximando-se seus rostos — Diz pra mim que não sente minha falta e eu vou embora — Sussurrou — Diz — Maura desceu os olhos para os lábios da morena e suspirou fechando os olhos sentindo o nariz de Jane roçar no seu, a loira engoliu a seco e suspirou beijando-a levemente nos lábios.
Jane a apertou na cintura e nas costas sentindo as mãos da loira em seu pescoço enquanto suas línguas dançavam em um ritmo que começava a ficar excitante enquanto caminhavam para um lugar desconhecido por Maura até ela sentir a mesa contra suas nádegas, Jane a colocou sentada sobre a mesa fria ficando entre suas pernas, puxando-a para si sem abandonarem o beijo.
O suspiro sôfrego de Maura faz com que Jane se afastasse e lhe beijasse o pescoço sentindo as pernas da loira assim como as mãos lhe apertarem mais.
— Jane — Sussurrou sentindo a mão da morena apertarem suas coxas por baixo da saia — Aqui não — Disse voltando a beijá-la, Jane sugou seu lábio e a olhou nos olhos.
— Sua casa?
— Sim — Disse voltando a beijá-la e desceu da mesa.
— Vou pegar meu carro — Maura afirmou beijando-a novamente e as duas saíram rapidamente no necrotério.
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