———§———
Capítulo 8
———§———
Jane suspirou sentindo a claridade do quarto e abriu os olhos, um sorriso dançou por seus lábios ao ver as esferas verdes lhe observando.
— Sabe que isso é assustador, não sabe? — Sussurrou com a voz ainda mais rouca.
— Não é não.
— É sim, muito assustador, parece que está analisando a melhor maneira de me matar enquanto durmo.
— Você tem mais utilidade para mim viva — Disse aconchegando-se contra o corpo da morena, Jane lhe acariciou na bochecha e a beijou lentamente nos lábios.
— Tem muito tempo que acordou?
— Poucos minutos, mas quis te esperar acordar antes de ir para o banho.
— Estava esperando pra tomar banho comigo?
— Não — Disse após morder o lábio — Precisamos conversar — Jane ficou de lado abraçando-a pela cintura e a olhou nos olhos com atenção.
— Sobre o que?
— Sobre sua mãe saber de nós, combinamos esperar mais um pouco, daqui a pouco ela conta para o Tommy que vai contar pra Lidya, também conta para o Frankie que vai contar para o Frost e o Korsak, então o departamento inteiro vai saber e logo Boston inteiro.
— Falamos com ela após o banho, vamos?
— Não, eu vou sozinha, mas você pode tomar banho primeiro, eu tenho que escolher minha roupa, aproveito e já separo a sua — Disse levantando — E só pra deixar claro, essa é a última peça sua que tem aqui — Disse entrando no closet.
— Hoje eu vou dormir no meu apartamento — Disse em alto tom e levantou da cama seguindo para o banheiro.
— Posso saber o por que? — Perguntou ao aparecer no banheiro.
— Porque eu ainda moro lá, Maura e dormir aqui só comprova que estamos namorando, além do mais, não vamos morrar juntas com dois meses de namoro.
— Mais não temos dois meses ainda.
— Em três dias teremos e é muito cedo, não nos conhecemos.
— Nos conhecemos há dez anos, sei todas as suas manias e péssimos hábitos — Jane a olhou com uma cara de indignação.
— Não nos conhecemos como casal e eu não tem péssimos hábitos.
— Tem sim, principalmente o de excesso de cerveja, você vai acabar ficando com uma enorme barriga — Jane olhou para a própria barriga.
— Acho meio difícil e eu faço caminhadas.
— Raramente, além de nunca está habita a fazer yoga comigo, sabe como yoga é importante pra manter a mente calma e o corpo relaxado.
— Mente calma e corpo relaxado eu faço no meu estilo de yoga, pegar assassinos e atirar neles, me acalma e o que me relaxa é sexo.
— Começamos a ter uma rotina sexual há poucos dias, então você não pode colocar isso na sua lista — Jane revirou os olhos abrindo a água e ficando embaixo do chuveiro.
[...]
Angela virou-se ao escutar passos e sorriu.
— Bom dia Jane.
— Bom dia Ma — Disse sentando-se na frente ilha da cozinha.
— Como dormiu?
— Ma, vá direto ao ponto — Angela colocou uma xícara de café na frente da filha e se inclinou.
— Vocês estão pensando em casar?
— Mais o que? Ma, estamos a namorando há dois meses e falando em namoro, nada de dizer ao Frankie ou ao Tommy, ou a qualquer pessoa que respire, não pense, não fale, não respire esse assunto.
— E por que não?
— Ma, apenas faça isso, eu já prendi pessoas perigosas, provavelmente muitos deles querem me atingir, podem usar Maura como um alvo mais rápido pra chegarem até a mim — Angela suspirou desanimada.
— Ta bom.
— E nada de ficar perguntando coisas indecentes pra Maura.
— Que tipo de sogra você acha que eu sou?
— Do tipo curiosa e um pouquinho intrometida.
— Me respeita que eu ainda sou sua mãe — Disse batendo no braço da filha que riu — Você está feliz? — Jane sorriu apaixonada.
— Sim, muito e eu não vou responder mais nada.
— Mais... — Foi interrompida pelo som do celular.
— Rizzoli — Angela revirou os olhos voltando a mexer na pia.
[...]
Maura analisava os papéis sobre a mesa com atenção ainda tinha um tempo antes do corpo chegar para necrópsia, fez algumas anotações e escutou batidas na porta.
— Posso entrar?
— Oi Angela, é claro, fique a vontade — Disse sorrindo enquanto levantava — Sente-se — Apontou para o sofá.
— Obrigada.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou ao sentar-se na poltrona de frente para a matriarca da família Rizzoli.
— Não nada demais, eu apenas trouxe alguns docinhos pra você — Disse mostrando a cesta.
— É muito gentil da sua parte.
— Experimenta e me diz o qual gostou mais.
— Pra que isso? — Questionou confusa.
— Eu estou tentando novas receitas, sabe? Pra vender lá encima e conseguir um dinheiro a mais.
— Fico feliz que esteja procurando algo para ocupar a mente.
— É, eu também fico — Disse sorrindo, tirando os doces da cesta e colocando sobre a mesa de centro — Mas prova — Disse se arrumando no sofá.
— Do que é esse? — Perguntou pegando o primeiro.
— Chocolante com pimenta rosa — Maura mordeu um pedaço e Angela a observou com atenção — E então?
— É gostoso — Limpou a boca com o guardanapo, pegou outro — Isso é bluebarry?
— É sim.
— Isso é incrivel, Angela — Disse mordendo mais um pedaço sentindo o chocolate meio amargo misturar com o bluebarry, Angela anotou no bloco de notas.
— Então... Você e a Jane — Perguntou como quem não queria nada — Vocês tem planos pra morarem juntas?
— Acho que sim, ela acha que ainda está cedo, mais eu não acho muito cedo, nós conhecemos há muito tempo — Respondeu distraída — Acho que ela quer passar pelos precessos do namoro, mas com nosso tempo de conhecimento, acho que não precisamos de tanto tempo assim.
— É, eu concordo e pretendem casar não é? Ter filhos.
— Ainda não falamos sobre o assunto, mas eu nunca quis filhos.
— E casar?
— Acho que sim — Disse ainda entretida com os doces.
— E como você prepararia a festa? — Perguntou extremamente intensada, Maura fez uma feição pensativa enquanto mastigava o doce e olhava para cima.
— O bolo com amêndoa de avelã, glacê de chocolate e talvez creme de café...
— A Jane gosta bastante de café — Maura sorriu.
— Sim.
— E o vestido?
— Bom, eu iria gostar dele feito com seda acetinada com a cintura alta e uma calda de seis metros e a cerimônia séria nos penhascos de Santorini logo acima de um vulcão.
— Interessante.
— Eu também acho.
— Doutora Isles, com licença — Maura olhou para a assitente — O corpo acabou de chegar.
— Obrigada Sussie, eu já estou indo — A asiática afirmou e saiu — Obrigada pelas doces, Angela, são maravilhosos, mas agora eu preciso voltar ao trabalho.
— Claro, mas antes de ir qual o que você mais gostou?
— O de bluebarry com chocolate meio amargo e o de avelã com pimenta rosa.
— Ótimo — Disse anotando e saiu rapidamente, Maura a olhou confusa e seguiu para a sala de necrópsia.
[...]
Jane adentrou a sala sentando-se em frente a mesa e suspirou.
— Oi Jane.
— Oi Ma, o que está fazendo aqui?
— Eu estou testando alguns doces, preciso de ajuda, uma opinião — Disse colocando a cesta sobre a mesa — O que acha desses dois? É de avelã com pimenta rosa e bluebarry com chocolate meio amargo — Jane colocou um na boca.
— Hm... É muito bom, Ma.
— Gostou mesmo?
— Claro que sim.
— Ótimo.
— Comida — Frankie disse e se preparou para pegar um doce — Au! — Disse ao recolher a mão ao receber o tapa da mãe.
— São da Jane, não seja abusado.
— Por que eu não posso comer?
— Porque são da sua irmã, agora eu tenho que ir, preciso resolver algumas coisas.
— Como o que?
— Quero comprar seda acetinado, pensei em fazer um vestido.
— Pra que?
— Como pra que Frankie? Pra um encontro que eu tenho, até mais tarde — Disse saindo, Jane bateu na mão do irmão que tentou pegar seus doces.
— Ela disse seda acetinada?
— Disse — Jane arregalou os olhos e correu para o elevador, mas logo voltou pegando seu pote com doces e a arma.
[...]
Jane adentrou a sala de necrópsia e viu Maura atenta ao corpo sobre a mesa fria.
— Você falou com a minha mãe? — Maura a encarou estranhando a feição da namorada.
— Sim, ela esteve aqui a alguns minutos me pedindo para ajudá-la a escolher alguns doces que ela pretende vender, por que?
— Sobre o que conversaram?
— Sobre o nosso relacionamento.
— Falou a ela sobre casar?
— Acho que sim, mas aonde quer chegar com isso?
— Ela me levou alguns doces pra eu provar.
— Sério? — Sorriu abertamente — Do qual gostou mais? Eu adorei o de avelã com pimenta rosa e o de bluebarry com chocolate meio amargo, ela realmente se superou nesses doces — Disse pensativa.
— Maura.
— O que?
— Você falou sobre sua vontade de ter um bolo com glacê de avelã e talvez creme de café? Ou sobre casar em Santorini sobre um vulcão, ou sobre seu vestido de noiva perfeito com seda acetinada com a cintura alta e uma calda de seis metros?
— Você lembrou de tudo o que eu disse aquele dia? — Perguntou sorrindo — Eu te daria um beijinho se pudesse.
— Maura, foco.
— Okay — Disse ficando séria — E sim, eu falei sobre isso com ela, mais por que disso agora?
— Acho que a mamãe ta planejando nosso casamento — Disse encarando a loira esperando alguma ação.
— Eu não falei que flores eu queria — Disse desanimada — Será que ela volta pra perguntar?
— Mais o que... — Disse incrédula — Você ta falando sério?
— Você não quer casar comigo?
— A gente vai fazer dois meses juntas, Maura, nem sabemos se isso vai dar certo, pra que a pressa?
— E você não pensa na possibilidade de casar e ter filhos comigo?
— Maura a questão não é essa, a questão é que minha mãe está procurando tecido de seda acetinado pra fazer o vestido de casamento dos seus sonhos.
— Pois avise a ela que não haverá casamento, que só uma nós duas pensamos nisso e que provavelmente não haja mais namoro.
— Você ta brincando, não é?
— Não, eu não estou — Disse colocando a postura de legista chefe séria — Melhor você ir, detetive, eu aviso quando tiver encontrado algo que possa ajudá-los com o caso.
— Maura — Disse tristemente e Maura seguiu para o laboratório ignorando-a completamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.